POR QUE E COMO ESTUDAR?
- Ribas Carneiro
- 8 de fev. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de dez. de 2025
Respostas simples e diretas para quem quer começar sua vida intelectual.

POR QUE ESTUDAR?
Esse livro tem uma resposta mais direta para essa questão:
“[...] o homem estuda porque não tem outro procedimento mais simples para vir a saber.”
Então é isso, estudamos para saber. Entretanto, aqui surge outra questão.
PARA QUE DEVEMOS SABER?
Simples, essa é a razão última de nossa existência.
Para Emilio Mira y Lopes, a aspiração de saber é um elemento vital para o homem.
Ele complementa afirmando que devemos dar o nosso melhor em nosso trabalho apenas para termos meios de estudar e saber mais.
Assim, a razão de nossa vida é saber, e o método mais simples para saber é estudar.
Estudar, por sua vez, relaciona-se com aprender, uma atividade que não é tão fácil assim.
O QUE É APRENDER?
Mira & Lopez reconhece que é duro “aprender ‘relações e conexões de sentido’ através de um material misto, sensorial e simbólico.”
Ao fazer essas relações, porém, conseguimos “[...] aumentar a bagagem de recursos de que dispomos para enfrentar os problemas que nos coloca a vida cultural.”
Poderíamos complementar: aumentar a bagagem que dispomos para enfrentar os problemas culturais e também práticos. Afinal, uma aprendizagem técnica, por exemplo, é a de conteúdos utilizáveis na vida para solucionar problemas práticos.
O estudo e o conhecimento não se dão apenas por meio de livros, mas por outros meios, como numa conversação com um mestre ou pelo diálogo.
Dessa forma, aprender não é apenas esforço mental, mas concentração para capturar materiais culturais com o objetivo de vencer dificuldades de compreensão e execução de aprendizagens.
A aprendizagem plena, bem feita, memorizada e aplicada é cumulativa. Assim, o indivíduo constrói um acervo de conhecimento.
COMO ESTUDAR?
O mais importante, o fundamental é o estudante saber formular perguntas.
A pergunta deve vir antes, por exemplo, de se ler um determinado livro. A partir de uma pergunta primordial, a leitura se torna mais ativa, uma verdadeira busca por respostas.
Para Mira y Lopez, “São muito os estudantes que não aprendem pela simples razão de ignorarem aquilo que devem aprender.”
Assim, no processo de leitura, deve-se buscar identificar a ideia diretriz da obra, a tese defendida pelo autor. Essa “ideia diretriz” pode ser aplicada para partes da obra também, como capítulos ou até mesmo parágrafos.
Uma boa prática é escrever um resumo ou um esquema para cada capítulo que se lê.
MOTIVAÇÃO E AMBIENTE
O que leva alguém a desejar realizar uma determinada tarefa de aprendizagem?
Podemos pensar em diversas formas de motivação a serem propostas pelo professor e pelo sistema de ensino (reprovação seria uma delas). Mas aí entraríamos em algo mais institucionalizado e nosso foco aqui é o desenvolvimento autônomo.
Pensemos aqui em motivações pessoais para aprender. Elas podem ser inúmeras, inclusive o simples desejo de saber mais. No âmbito pessoal, temos de ter o desejo de ir além, melhorar cada vez mais.
Dependendo do ambiente em que se está inserido isso pode demandar maior esforço. Mesmo quando se quer muito, se o indivíduo está preso a ambientes medíocres a coisa fica bem mais complicada. Mas, quanto mais esforço maior a recompensa.
Há razões de atração e de repulsa no ato de aprender ou estudar, de acordo com Mira y Lopez. Quando há um saldo positivo de razões de aprender há o impulso de aprender.
Assim, mesmo oriunda de um contexto de miséria intelectual, uma pessoa pode desenvolver sua cultura. Isso depende de vontade própria e um ambiente minimamente propício.
Um ambiente medíocre, que não valoriza a cultura e o conhecimento, discrimina quem demonstra interesse pelos estudos.
PROCESSO
Quando estudamos, entramos em contrato com algo novo, então devemos arranjar técnicas de rememoração, depois de aplicação. Esses passos precisam ser dados um a um sempre que há uma nova informação.
O estudo é um processo e para o indivíduo atingir o seu potencial máximo há de haver essa superação de forma rotineira.
Agora, aqui vem a parte mais emocionante: o aprendizado tem momentos de esgotamento e estagnação e outros de saltos ou progressos rápidos. Nesse interim, com altos e baixos, é que ocorrem as descobertas. O estudioso precisa persistir. Essa é a rotina de quem desenvolve um trabalho intelectual.
SER CULTO
Ser culto é ter a capacidade de aprender cada vez mais e com mais facilidade.
Ao longo do tempo e do estudo contínuo, um bom volume de informações, observações e experiências se acumulam, tornando a caminhada cada vez mais fácil. Dessa forma, aos poucos, o indivíduo vai desenvolvendo sua vida intelectual.
Como diz Emilio Mira y Lopez:
“Assim faz o homem culto: pode ter esquecido tudo ou quase tudo que aprendeu na mocidade, mas adquiriu, em compensação, a atitude e o poder de integrar os dados experienciais de uma verdade, que lhe servem de apoio e sustentam sua vida.”
O fato é que saber, ser culto ou culta, é um prazer dos mais recompensadores.
RECOMENDAÇÃO
Livro interessante para estudantes jovens, porém interessados. O autor apresenta um arcabouço psicopedagógico muito em voga na primeira metade do século XX, principalmente entre autores norte-americanos.
O livro é básico, porém com uma excelente base teórica, por isso é bem prático. Estudantes novatos, que precisam descobrir ainda seu melhor método de estudo, vão encontrar nesse livro dicas preciosas.
O primeiro capítulo, “Psicologia dos estudos”, é um dos mais interessantes. Ele faz uma análise da realidade estudantil, de como os jovens sonham em aprender sem estudar e de outros mitos correntes.
Logo depois há as questões práticas: o que estudar? Para quê e por quê?
Aqui o autor toca questões muito sensíveis e as responde diretamente.
Trata-se de uma leitura altamente recomendável.
REFERÊNCIA:
MIRA Y LÓPEZ, Emilio. Como estudar e como aprender. Trad. DENARDI, Felipe. Campinas: Kírion, 2020.
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