ORIGEM DA LINGUAGEM - AS PRIMEIRAS EXPLICAÇÕES
- Ribas Carneiro
- há 2 dias
- 4 min de leitura
O problema sobre a origem da linguagem inspirou explicações mitológicas e despertou a atenção de grandes filósofos.
Questões antigas e complexas
A linguagem sempre encantou os homens, especialmente sua origem.
A questão, porém, suscita problemas tão complexos que no começo do século XX foi tida como impossível de ser respondida. Os primeiros linguistas modernos até determinaram que tais questões deveriam ser ignoradas.
Na época, a linguística buscava se firmar como ciência. Mas para algo ser considerado científico é precisa provas, que seja algo repetível, observável etc. Considerando os critérios necessários para se obter o estatuto de ciência, os linguistas recuaram.
Afinal, é impossível reconstituir os primeiros sons dos antepassados hominídeos, bem como fixar uma data de surgimento das primeiras palavras. Elas sumiram com o ar, não ouvimos mais aquelas vozes.
Sem provas, tudo o que havia eram apenas suposições, o que é anticientífico. Entretanto, alguns poucos ensaístas e filósofos se aventuraram a analisar o problema. A chama ficou acessa.
Hoje, com o desenvolvimento da arqueologia e de outras áreas, o problema da origem da linguagem tem sido retomado. Trata-se de novo capítulo de uma longuíssima história.
Origem da linguagem - explicações mitológicas
Desde muito cedo, o homem discutiu a definição de linguagem, suas origens, diferenças e semelhanças. Ao entrar em contato com uma língua diferente, nossos antepassados tinham consciência de que usavam uma língua. E isso era fascinante!
Todo fenômeno precisa de explicação e um dos primeiros recursos de sistematização foi a mitologia.
Na tradição judaico-cristã, Deus deu a Adão a capacidade de nomear as coisas, ainda no Jardim do Éden.
Mais tarde, com a Torre de Babel, os homens tentaram atingir os céus e se igualar a Deus. O Criador, então, criou as diferentes línguas entre os que trabalhavam.
Diversas cosmogonias explicaram ao seu modo a origem da linguagem. Mais tarde, com a escrita, o foco mudou.

A Torre de Babel (1593), por Peter Bruegel, o Velho (1526/30 - 1569). Fonte.
A escrita e a explicação da linguagem
O desenvolvimento da escrita trouxe consigo a necessidade de análise das estruturas sintáticas e morfológicas. Lentamente, surgiu a sistematização que daria origem às gramáticas.
As primeiras gramáticas estavam muito relacionadas à língua sagrada antiga. Essas línguas mortas exigiam um estudo reflexivo que não era necessariamente igual ao da língua usada no dia a dia.
Assim, aos poucos instituiu-se a filologia, ou seja, o estudo de línguas antigas e da origem das palavras.
Explicações filosóficas sobre a linguagem
Aristóteles foi um dos primeiros a sistematizar um pensamento mais completo em relação à linguagem. Para ele, a linguagem é instrumento para a expressão de nossos pensamentos.
Em Da Interpretação, Aristóteles estabelece que o pensamento precede a fala e os sons têm relação com o que a palavra representa.
O pensamento aristotélico predominou nos séculos seguintes, inclusive durante a Idade Média e o Renascimento.
A filologia e a explicação da origem da linguagem
A partir do Renascimento, a filologia passou a ganhar cada vez maior importância.
O grego e o hebraico antigo, línguas bíblicas, estavam no centro das investigações. Seguindo velha tradição, os filólogos tomaram o hebraico antigo como a língua original, falada por Adão.
O hebraico fazia parte dos estudos comparados com o grego. Nessas duas línguas foi escrita originalmente boa parte do Novo Testamento. A elas se uniu o latim, constituiam-se assim as bases da linguagem da cristandade.
À medida que os textos da antiguidade ressurgiam na Europa, os filólogos foram expandindo seus conceitos. Logo, eles buscaram a língua mater, a língua original.
O conceito de uma gramática universal foi se consolidando, estabelecendo-se a partir do latim.
Com o tempo, a filologia expandiu suas fronteiras, agregando estudos de diversas línguas antigas, como egípcio, sumério e assírio. Aos poucos, decifrar textos antigos se tornou uma das principais ocupações dos filólogos.
A linguística e a recusa de explicar a origem da linguagem
Nas últimas décadas do século XIX e ao longo de todo o século XX, surgiu e se estabeleceu a linguística. Trata-se de uma abordagem sobre a linguagem que se quis mais científica.
Sempre que se fala de linguística se faz referência a Ferdinand de Saussure, um de seus criadores. Ele é também um dos teóricos formadores do Estruturalismo. Dessa forma o caminho estava pronto para a aplicação de princípios científicos ao estudo da linguagem.
O problema da ciência é propor uma hipótese, prová-la com dados concretos passíveis de repetição e descrever o fenômeno observado.
Isso é fácil com as línguas atuais ou registradas em documentos antigos. No entanto, como fazer algo assim com línguas que desapareceram sem registros escritos?
Os estruturalistas perceberam que seu arcabouço teórico não permitia estudar a origem da linguagem. Por isso, determinaram que a questão devia ser evitada.

Ferdinand de Saussure (1857-1913), considerado o criador da linguística e um dos fundadores do Estruturalismo. Fonte.
Outras áreas de estudo abordaram a questão
Se os estruturalistas se recusaram a estudar as origens da linguagem, outros estudiosos, em campos correlatos, assumiram a missão.
Não demorou muito tempo para o surgimento da antropologia linguística e da linguística histórica. Esses dois campos assimilaram conceitos modernos e agregaram-nos ao arcabouço da filologia.
Além disso, os estudos arqueológicos avançaram muito, bem como o conhecimento relativo aos hominídeos. Hoje está claro que espécies ancestrais tinham algum nível de linguagem articulada e o Homo sapiens a herdou.
Nos últimos tempos surgiram importantes teorias, de natureza multidisciplinar, sobre a origem da linguagem. Trata-se de um tema fascinante, que ganha cada vez mais atenção.
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