O diário de Anne Frank, um livro essencial
- Ribas Carneiro
- 17 de jan.
- 3 min de leitura
O diário de Anne Frank é testemunho dos horrores do nazismo contra os judeus. É um relato humanista comovente. É uma grande lição de vida. É muito bem escrito. Em suma, é essencial.

O diário de Anne Frank. Foto: Bibliocanto.
Transcende o registro histórico
Este é um dos mais importantes registros da shoa, o holocausto judeu causado pelo nazismo. Mas esse livro transcende a questão histórica.
O diário de Anne Frank é uma obra humanista. Graças à escrita de Anne Frank sabemos sobre sua vida, família, experiência intelectual e aprendemos sobre a juventude e o amor. Além, é claro, de termos um retrato das dificuldades vividas pelos civis na guerra e dos desdobramentos do antissemitismo.
Essa também é uma grande lição de vida, um testemunho das capacidades da humanidade. O diário revela a importância do registro da vida intelectual interior. Ele prova que pensar e escrever nos torna relevantes.
Por isso O diário de Anne Frank é essencial. É uma obra que transcende os horrores da Guerra e do antissemitismo. Ela direciona nossas mentes e corações para aquilo que realmente importa: a experiência humana e seu registro.
Uma vida extraordinária
Anne Frank teve uma infância ordinária até a perseguição aos judeus na Holanda endurecer. Sua família teve de se refugiar num esconderijo em Amsterdã. Lá, dividiram o espaço com a família Daan e o senhor Dussel.
Nesse esconderijo Anne Frank manteve seu diário e é justamente isso, e apenas isso, que tornou sua vida extraordinária. Ela registrou seus dias no anexo até ser levada para Auschwitz.
Por causa desse diário ela se tornou uma das pessoas mais famosas da história.
Cenas vibrantes fazem a leitura fluir
Se Anne Frank tivesse tido a oportunidade talvez viesse a ser uma grande escritora. A menina tinha talento.
Em seu diário há cenas memoráveis muito bem escritas, provavelmente várias vezes reelaboradas. Na verdade, ela escreveu uma segunda versão do diário pensando numa futura publicação. Assim, ela pode revisar o texto, reorganizar as ideias e melhorar as narrativas.
Isso explica a qualidade narrativa na cena da chuva de feijões pelo anexo após o saco se rasgar ou na atuação do dentista Dussell tratando a senhora van Daan.
As descrições também são ótimas. No registro do dia 13 de dezembro de 1942, um domingo, há uma vista da janela do anexo. Na descrição aparecem transeuntes, crianças sujas nas ruas, automóveis, uma família vivendo num barco no canal logo em frente... um quadro completo, espetacular!
Grande lição de O diário de Anne Frank
Escondida, ela não podia ir à escola ou a qualquer outra atividade social. Isso a fez se concentrar na literatura, na gramática e em outras línguas. Havia aí influência de sua família, que via nos estudos um valor máximo.
As leituras e estudos de Anne Frank se aliaram ao seu desejo de se tornar escritora. Mas mais importante foi seu propósito de fazer algo importante. Isso a tornou uma pessoa extraordinária, cujo nome sobreviveu ao tempo.
Anne Frank ultrapassou todos os limites. Ela fez isso sem escola, sem poder conviver com outros jovens nem andar pelas ruas, presa num espaço restrito, não podendo sequer falar alto ou ouvir música.
Vida intelectual
Para mi, essa é uma das grandes lições desse livro, senão a maior: um propósito intelectual e a obra criada nos torna extraordinários.
A vida intelectual nos faz transcender os limites.
Anne Frank utilizou os meios ao seu dispor para escrever um diário. Ela jamais poderia imaginar que esta seria uma das obras mais importantes do século XX.
A esse propósito lembro de Carlo Acutis, outro jovem com fim trágico, mas cuja vida transcendeu todos os limites e o tornou extraordinário.
VOCÊ TAMBÉM PODE
Se você leu este texto até aqui, com certeza tem muito mais oportunidades e condições do que Anne Frank teve.
Então, o que falta para dar aquele salto na vida intelectual?
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SERVIÇO
FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. Barueri: Garnier, 2023.
Essa edição não tem nenhum texto de apoio ou nota sobre a versão utilizada para a tradução. Não conheço outras edições brasileiras.
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Oi, Professor Li o Diário de Anne Frank há muitos anos! Acho que você nem era nascido. KKK Lembro que gostei muito do livro. Não sei se me considero uma pessoa intelectual. Eu gosto de ler, mas não sou muito de escrever. Ideias eu até tenho, mas não tenho ânimo para escrever sobre elas. Acho que não tenho vocação para escrever. Veja a minha realização: fui a Amsterdã e vi o prédio, onde Anne Frank ficou com a família. Hoje, ele está com a frente toda moderna. Que pena... Ao lado tem um museu sobre Anne Frank. Infelizmente, eu não fui. Tinha uma fila enorme. E no dia seguinte, eu continuei a viagem. Por falar em prédios mordernos, Amsterdã tem muitos prédios prá…