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OS ESPANHÓIS DESCOBRIRAM O BRASIL

Atualizado: 22 de jul.

Antes de Cabral, duas expedições espanholas passaram pela costa do nordeste do Brasil.


AS GRANDES NAVEGAÇÕES E A COSTA DO BRASIL

Cristovão Colombo descobriu terras a oeste da Europa em 1492. Ele não sabia que se tratava de um novo continente, imaginava que estava a caminho de Cipango (o Japão). De qualquer forma, logo as viagens dos espanhóis para as novas terras se multiplicaram.


Cinco anos depois, em 1497, Vasco da Gama iniciou sua viagem para as Índias. A descoberta do caminho que circundava a África foi um duro golpe para a Espanha.


A rota era totalmente oposta à dos espanhóis e garantiu aos portugueses a primazia da exploração do Oceano Índico. Tratava-se da coroação de um esforço conjunto de muitas décadas.


Isso não significava, porém, que as terras a oeste seriam ignoradas pela Coroa Portuguesa. Em 1500, Pedro Álvares Cabral capitaneou a segunda viagem à Índia. Mas, ele tinha também outra missão, tomar posse de novas terras a oeste. Para tanto, ele seguiu em direção de terras mais ao sul das rotas espanholas.


A viagem à costa brasileira tinha enorme importância. A coroa portuguesa já sabia da existência de terras na região, afinal, assinou o Tratado de Tordesilhas. Mas foi com a expedição de Cabral que houve pela primeira vez ampla divulgação das novas terras.


Isso era importante pois os espanhóis já começavam a frequentar aquela costa. Há pelo menos duas outras viagens documentadas de espanhóis: a de Vicente Yañez Pinzón e a de Diego de Lepe.


Segunda Armada dirigida para as Índias. In: Memória das Armadas que de Portugal passaram à Índia. Cerca de 1568. Academia de Ciências de Lisboa. (fonte)

OS ESPANHÓIS DESCOBRIRAM O BRASIL

Vicente Yañez Pinzón era um navegador experiente. Na primeira expedição de Cristovão Colombo, ele foi capitão da nau Niña.


Seu principal talento, para aquela viagem rumo ao desconhecido, revelou-se no recrutamento de marinheiros na cidade de Palos, na Espanha. Após a gloriosa expedição de Colombo, Pinzón participaria de batalhas no Mediterrâneo e só voltaria às Américas em 1499.


Desde a primeira expedição de Colombo, a Coroa Espanhola investiu recursos para a descoberta da passagem para o Oriente. Afinal, não se sabia ainda que as terras descobertas constituiam um novo continente. Para ajudar no esforço, os reis autorizaram particulares a também explorarem aquela região.


Com tal estímulo, Vicente Yañez Pinzón armou sua própria expedição. Contando apenas com recursos próprios e uma tripulação bastante preparada, ele partiu de Espanha em 1499. Passou pelo arquipélago de Cabo Verde e partiu rumo a oeste em 13 de janeiro de 1500.


Seu destino eram as ilhas ao sul do Caribe, avistadas por Colombo numa expedição cerca de um ano antes. Mas ao cruzar a linha do Equador, em 21 de janeiro, a frota passou uma semana sob tempestades.


Como resultado, Pinzón cruzou o Atlântico em apenas 13 dias. Isso numa rota que durava normalmente cerca de um mês.


Outro efeito da tempestade foi um desvio de rota. Quando avistaram terra, a tripulação viu o atual Cabo de Mucuripe, no Ceará. Dando graças a terem sobrevivido à tempestade, os marinheiros denominaram o cabo de “Santa Maria de la Consolación”.


A frota permaneceu um ou dois dias naquele local, e os homens teriam visto grandes fogueiras na praia à distância. Partiram e seguiram cerca de 100 km, parando à foz de um rio. Trata-se, provavelmente, do Rio Curu, próximo de onde hoje fica Fortaleza. Lá os homens avistaram cerca de 40 índios na praia.


Foram enviados quatro escaleres, embarcações pequenas, com soldados a bordo. Eles tentaram entrar em contato com os índios com guizos, colares e espelhos, mas não obtiveram sucesso.


Um nativo teria atirado uma vara dourada e um dos marinheiros se aproximou e abaixou para pegá-la. Nesse momento os índios se atiraram sobre ele, matando-o com golpes de tacape. Houve reação e um conflito explodiu entre espanhóis e indígenas.


A frota se retirou daquele local no dia seguinte e seguiu para o norte. Eles costearam o litoral até chegar ao maior rio do mundo, o Amazonas. Pinzón chamou aquele rio extraordinário de Mar Dulce e o explorou até cerca de 300 km para dentro do continente. Dessa região ele teria levado 36 indígenas como escravos para a Espanha.


Retrato de Vicente Yañez Pinzón. Por: Julio Garcia Condoy, 1956. (fonte)


O RELATO DE PINZÓN

O navegador relatou sua viagem a Pietro Martira Anghiera, que a registrou em sua De Orbe Novo Decades Octo (As Oito Décadas do Novo Mundo).

O relato de Pinzón revela uma experiência bem diferente da de Cabral. A Carta de Pero Vaz de Caminha revela um encontro amigável entre os portugueses e os índios. Já Pinzón enfrentou conflitos com os indígenas desde o primeiro contato. O que teria acontecido de diferente?

Deve-se considerar que Cabral teve um encontro com os Tupiniquim. Por seu turno, Pinzón entrou em contato com os Potiguar, um povo mais agressivo. Mas é muito provável que Pinzón não tenha contado a história inteira.

Cabral até pensou em aprisionar alguns nativos, mas preferiu manter o clima amistoso e deixou a ideia de lado. Pinzón, por seu turno, afirmou ter levado 36 indígenas para serem vendidos como escravos na Espanha. É bem provável que as atitudes de Pinzón tenham levado ao conflito.

Mais contundente é o relato de seu primo, Diego de Lepe, que comandou outra expedição na mesma época e região. Enquanto navegava próximo à Ilha de Marajó, Lepe encontrava aldeias fumegantes e índios enfurecidos. Eles tinham sido provavelmente atacados por Pinzón e sua frota.

A EXPEDIÇÃO DE DIEGO DE LEPE Há menos registro relativos à expedição de Diego de Lepe, mas sabe-se que ele saiu de Cabo Verde na mesma época que Pinzón. Em fevereiro de 1500, ele teria chegado em algum ponto entre o que é hoje Pernambuco e Rio Grande do Norte. Ele seguiu para o sul, mas, como a costa se inclinava para sudoeste, inverteu a direção rumo ao norte.

Costeando a região, Lepe avistou as aldeias atacadas por Pinzón. Em algum momento, as duas frotas até se cruzaram, mas sem se terem visto.

Explorando o litoral, a expedição teve contato apenas com nativos furiosos. Numa ocasião, 11 de seus homens desceram para pegar água num rio, mas foram atacados e mortos.

Mesmo assim, ao longo da viagem ele capturou cerca de 20 nativos. Lepe os teria levado como escravos para a região do Caribe, onde já havia alguns vilarejos de espanhóis.

A viagem de Diego de Lepe está registrada em três fontes: numa carta dos Reis Católicos, Fernando e Isabel, para o bispo de Córdoba; na narrativa da viagem por Frei Bartolomé de Las Casas; nas menções feitas à expedição num processo judicial chamado de Probanças del Fiscal.

RESULTADOS PRÁTICOS DAS EXPEDIÇÕES DE PINZÓN E LEPE

As expedições dos espanhóis se deram em território que já estava definido como português pelo Tratado de Tordesilhas. Assim, não passaram de meros atos de reconhecimento do território.

Pinzón e Lepe ainda estavam presos à concepção de que era possível atingir o Oriente navegando sempre para o Oeste. Pinzón sugeriu que o Rio Amazonas devia nascer numa grande cadeia de montanhas. Nisso ele estava certo, mas se enganou ao crer que se tratava da parte externa do famoso Rio Ganges.

Mais ou menos na época dessas duas expedições, começou-se a questionar se aquelas terras recém-descobertas seriam uma parte da Ásia. Logo surgiriam novos navegantes e cartógrafos com outra visão, entre eles Américo Vespúcio.


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