SEIXO DE MAKAPANSGAT
- Ribas Carneiro
- 22 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 27 de dez. de 2025
Um dos achados arqueológicos mais intrigantes e reveladores das origens do pensamento simbólico.
O SEIXO DE MAKAPANSGAT
Ela é uma pequena pedra avermelhada com cerca de 260 gramas e marcas naturais que lembram um rosto. Até aí tudo bem, não é impossível encontrar uma pedra que lembre um rosto, no entanto, essa foi encontrada em circunstâncias muito especiais.

Foto: O seixo de Makapansgat, hoje no Instituto de Estudos da Evolução da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul. Fonte.
O seixo foi descoberto em 1925 pelo geólogo Wilfred Eitzman, na caverna de Makapansgat, na África do Sul, entre fósseis de Australopithecus africanus.
O mais interessante é que o material do seixo (jaspe) não é nativo da região. Isso indica que um australopitecos carregou a pedra por quilômetros e a guardou em sua “morada”.
Apenas décadas depois o objeto chamou a atenção da comunidade científica. Aos poucos, os pesquisadores identificaram sua importância para analisar o desenvolvimento do pensamento simbólico entre os primeiros hominídeos.
Afinal, esse é um exemplo concreto de objeto reconhecido por australopitecos como algo especial. Seriam esses os primeiros hominídeos a reconhecerem um ícone como símbolo?

Foto: Reprodução hiperrealista da espécie Australopithecus Africanus do sítio Sterkfontein, África do Sul. Autora: Elisabeth Daynès . Fonte.
OS AUSTRALOPITECOS
Australopitecos é um gênero extinto de primata hominídeo que viveu na África entre aproximadamente 4,2 e 1,9 milhão de anos atrás.
Esses ancestrais dos humanos andavam parte do tempo sobre duas pernas. Mas eles ainda tinham características primitivas, como um cérebro pequeno e braços longos adaptados para subir em árvores.
Descobertas recentes revelaram que australopitecus produziram ferramentas de pedra. Isso alterou a percepção sobre a espécie.
O Seixo de Makapansgat adiciona uma camada a mais de complexidade ao que sabemos sobre essa espécie e levanta várias outras questões.
MANUPORT
Os fósseis de Australopithecus africanus encontrados próximo desse seixo foram datados em 3 milhões de anos. Tudo leva a crer que foi nessa época que um desses indivíduos carregou a pedra para a caverna.
Esse seria então o primeiro manuport comprovado da espécie australopitecos. Manuport é o termo em inglês usado em arqueologia para se referir a objetos da natureza transportados intencionalmente por humanos ou seus ancestrais hominídeos.
O ato de carregar esse objeto é central nessa descoberta. Afinal, qual seria a razão de um australopiteco fazer isso? Ele teria identificado na pedra um símbolo?
PAREIDOLIA
O fenômeno psicológico de enxergar rostos em objetos inanimados é denominado pareidolia. O estudo desse fenômeno ajuda a entender como o cérebro processa imagens e padrões.
A pareidolia não é exclusividade da espécie humana nem dos primatas em geral. Na verdade, é fácil observar a pareidolia em cães e gatos, por exemplo.
Em termos evolutivos, essa capacidade se relaciona com a sobrevivência, sendo uma forma de reconhecer rapidamente predadores.
A pareidolia foi potencializada pelo cérebro humano. Ela tem papel fundamental no desenvolvimento de manifestações artísticas e no imaginário religioso. Não é acaso que a identificação de rostos em rochas ou árvores faz parte de várias mitologias.
Esse, porém, não era o caso dos australopitecos.
APENAS UM RECONHECIMENTO
Um indivíduo dessa espécie encontrou uma pedra com um desgaste natural que representa a forma de um rosto. Ele desenvolveu uma relação forte o suficiente com o objeto de modo a carregá-lo por uma longa distância e guardá-lo.
Residiria aí o pensamento simbólico?
Certamente, num primeiro momento, a pareidolia atuou para o reconhecimento do seixo pelo australopitecos. Até aí nada demais.
Mais importante, porém, é o fato de um indivíduo dessa espécie carregar consigo a pedra e guardá-la. Isso revela um desejo de posse. Algo que viria a se tornar central entre as futuras espécies hominídeas.
Além disso, o achado sugere que esse gênero de australopitecos tinha algum nível de curiosidade e afeto por um objeto em particular.
É tentador deduzir que um hominídeo, com um cérebro pouco evoluído, pode desenvolver o pensamento simbólico e estético. Se esse for o caso, porém, esse pensamento estaria num estágio muito primitivo, intimamente relacionado à pareidolia. Mais importante é o sentido de posse que esse objeto revela.
Gostou deste Bibliocanto?
Então mande um comentário.
Se não gostou aponte os problemas. Só assim vou melhorar.
Lembre-se, conhecimento bom é conhecimento compartilhado. Se você realmente gostou mande para quem pode se interessar pelo assunto.
DISCLAIMER:
Essa é uma produção independente, sem patrocínio de qualquer natureza.
As menções a obras são espontâneas e não constituem indicação de compra.
Esse material foi redigido por um humano sem uso de inteligência artificial.
Você pode usar trechos do texto, desde que cite a fonte.




LC88 mình mới ghé thử vì thấy bạn bè nhắc hoài, kiểu vào xem cho biết thôi chứ không ngồi lâu. Lướt một vòng thì giao diện nhìn khá gọn, chữ không dày đặc nên đọc nhanh vẫn hiểu họ đang nói gì. Mình để ý phần giới thiệu tổng quan và đoạn nhắc về lịch sử gần 1 thập kỷ được đặt khá dễ thấy, kéo xuống là gặp chứ không phải mò. Nội dung chia thành từng khối ngắn nên mắt đỡ mệt, kiểu đọc lướt vẫn bắt được ý chính. Mình cũng thích cách họ làm mục “Giấy phép hoạt động” tách riêng, nhìn như một box tiêu đề nổi bật nên vừa vào là nhận ra…