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COMO PRATICAR INGLÊS COM PEÇAS DE TEATRO

Atualizado: 27 de dez. de 2025

Você que gosta de praticar inglês, já leu uma peça no original acompanhando uma performance teatral no Youtube?

Recomendo!


Realizei a experiência e foi muito interessante, tanto em termos de treino de língua estrangeira quanto em relação à percepção estética.

 

Segue um breve relato. Pode interessar a quem gosta de treinar o inglês em nível avançado. É também para aqueles que gostam de se aprofundar na literatura, nas artes dramáticas e particularmente em Samuel Beckett.


Para quem quer tentar a experiência

 

1.    Essa é uma atividade para quem tem um bom nível de inglês. Trata-se de ler um texto original, sem adaptações, de um clássico da literatura universal.


2.    Você deve ler atentamente o texto ANTES de acompanhá-lo com as performances existentes no Youtube. Os problemas de compreensão textual devem ser resolvidos nessa fase, você deve dominar o texto. O vídeo será um treino de oralidade e expressão.


3.    Eu usei Waiting for Godot, um dos maiores clássicos da literatura, mas há outras grandes peças contemporâneas para treinar. No Youtube é possível encontrar interpretações completas de peças de Tennessee Williams, Arthur Miller, Eugene O´Neill e muitos outros.


Como realizei a experiência?

Reli Waiting for Godot, de Samuel Beckett, acompanhando a performance teatral com vídeos disponíveis no Youtube. Assisti ainda alguns pequenos trechos de atuação dos renomados intérpretes da obra beckettiana, Sir Ian McKellen e Sir Patrick Stewart.


Cena de montagem de Esperando Godot. Fonte.


Resultados em termos linguísticos

Claro que na leitura de uma peça em inglês a própria experiência de língua estrangeira é renovada. Literatura é linguagem viva numa de suas formas de expressão mais complexas. Nela entram em jogo diversas camadas de sentido.

 

Isso é muito mais evidente numa peça como Waiting for Godot, uma das principais obras do século XX.

 

A leitura atenta, cuidadosa e criteriosa desse texto permite uma experiência linguística profunda. E já poderíamos ficar por aí. Mas a releitura do texto acompanhando uma das interpretações disponíveis no Youtube amplia a percepção linguística.

 

Esse tipo de experiência faz o suporte textual ganhar forma oral. Por isso, toda a riqueza de tons de voz, interjeições, risos e chistes toma forma enquanto os olhos acompanham o texto.


A experiência também faz emergir a contextualização dos gestos e dos movimentos. Enfim, o texto, já rico por si, preenche-se de outras relações da língua viva.

 

Trata-se de um belo laboratório para o estudante! Um exercício que enriquece a experiência auditiva e de consciência das palavras em inglês.

 

Resultados em termos literários

Eu conhecia bem a obra, já a tinha lido mais de uma vez, mas nunca havia assistido uma montagem da peça. Digamos que minha leitura tinha sido mais “literária” e menos “dramática”.

 

Eu compreendia bem a narrativa, a construção dos personagens e o desenrolar do drama. Porém, como vim a perceber, algo me escapava.

 

À medida que fui acompanhando a leitura com a performance em vídeo, percebi algumas nuances e alguns detalhes. Logo, a coisa toda ganhou uma profundidade que eu não tinha alcançado antes.

 

Por exemplo, há trechos na peça que eu lia mentalmente de forma trágica, mas que na interpretação teatral se apresentou de forma cômica. Isso me permitiu perceber novos sentidos para termos e sentenças e, é claro, alterou a minha compreensão literária do texto.

 

Afinal, os atores usam tons de voz, pausas e gestos que não estão necessariamente marcados nas rubricas da peça.

 

Deve-se considerar aqui que Beckett gostava dos filmes de Chaplin e Buster Keaton; era sua intenção que suas peças tivessem o humor e aqueles movimentos rápidos do cinema mudo.

 

Numa leitura atenta podemos até imaginar isso, mas o suporte visual amplia muito a experiência.

 

O uso de peças para estudar inglês

Há tempos, as peças têm sido exploradas pelos professores de língua estrangeira.

 

Isso porque o texto literário por si já é necessariamente uma construção linguística complexa. Trata-se então de um texto que um conhecedor avançado de língua estrangeira deve ser capaz de acessar.

 

As peças teatrais, por sua vez, são particularmente interessantes para os estudantes. Além da complexidade estética e linguística, elas ainda mantêm elevado nível de oralidade, mesmo em formato escrito.

 

Grupos teatrais em que os estudantes podiam atuar na língua-alvo era algo comum há até pouco tempo em centros de língua. Não sei como está hoje, mas cheguei a assistir peças de algumas escolas de línguas.

 

Por que ler Samuel Beckett?

Trata-se de uma escolha pessoal. Entre tantas peças que lí nas aulas de literatura na faculdade, Waiting for Godot em especial causou-me grande impressão.

 

Essa é umas das melhores peças que já li. Trata-se ainda de uma dupla recompensa, pois há também o orgulho de ler (e entender!) um texto de tal qualidade no original.

 

Lembro de ter ficado tão empolgado na época que acabei lendo outra peça de Samuel Beckett, Play, e ter ficado ainda mais impressionado.

 

Aquela foi minha fase de teatro do absurdo, sendo Eugène Ionesco e Harold Pinter outros dois autores cujos textos me ficaram na memória.

 

Por que recorrer aos vídeos do Youtube?

Agora, décadas depois, voltei a Samuel Beckett. Dessa vez me propus a ler toda a sua obra dramática.

 

O autor é revolucionário e suas peças não se enquadram nos esquemas da dramaturgia tradicional. Em algumas o experimentalismo é tal que a leitura, em termos literários, fica truncada.

 

Em uma peça tradicional, o fio condutor é constituído pelos diálogos e as rubricas têm um valor acessório. Em Beckett é um bocado diferente, muitas vezes há muitas rubricas em meio a interjeições curtas dos personagens.

 

Por causa dessa particularidade senti a necessidade do contato com a performance para uma completa compreensão textual. Decidi, então, recorrer à tecnologia.

 

Busquei no Youtube as peças de Beckett; há muita coisa e decidi acompanhar as performances teatrais lendo simultaneamente as peças.


Fontes utilizadas

Há muitas edições da peça de Beckett pela Farber & Farber. O texto que utilizei está inserido no volume:


BECKETT, Samuel. The Complete Dramatic Works. London: Farber & Farber, 2006.


Os vídeos utilizados para acompanhar a leitura foram:


Beckett directs Beckett Waiting for Godot Part I – Apesar do título, Beckett jamais dirigiu uma peça televisionada. Essa produção, aliás, deixa muito a desejar. Além disso, o segundo ato está separado do primeiro no Youtube.


Waiting for Godot – Gravação antiga, talvez seja essa a que tenha sido detestada pelo autor. Pelo menos o segundo ato fica no mesmo vídeo.


Patrick Stewart & Ian McKellen on Broadway, Bowler Hats and Beckett – Curto trecho de entrevista de dois grandes atores, o mais impressionante é ver em apenas 1 minuto de encenação o poder de interpretação dessa dupla e o potencial da peça.

 

Post scriptum

Realizei a mesma experiência com a peça Endgame, também de Samuel Beckett. Trata-se de uma obra bem diferente de Waiting for Godot, cuja complexidade é melhor ou mais facilmente percebida quando temos o suporte oral e visual. No Youtube assista Endgame aqui.


Este foi um Bibliocanto diferente, voltado para uma prática de estudo.

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Lembre-se, conhecimento bom é conhecimento compartilhado. Se você realmente gostou mande para quem pode se interessar pelo assunto.

 

DISCLAIMER:

Essa é uma produção independente, sem patrocínio de qualquer natureza.

As menções a obras são espontâneas e não constituem indicação de compra.

Esse material foi redigido por um humano sem uso de inteligência artificial.

Você pode usar trechos do texto, desde que cite a fonte.

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