AS AVENTURAS DE PINÓQUIO, DE CARLO COLLODI
- Ribas Carneiro
- há 40 minutos
- 6 min de leitura
Um dos melhores livros infantis de todos os tempos.
As aventuras de Pinóquio é um dos melhores livros infantis de todos os tempos. Indicado para crianças a partir dos 5 anos, pode ser lido pelos pais até para os mais novinhos.
Um capítulo por noite e haverá aventuras, reviravoltas e grandes surpresas para os pequenos.
Melhor edição de As aventuras de Pinóquio
Há uma excelente edição pela Companhia das Letrinhas. Uma tradução feita por Marina Colasanti diretamente do original. Ela mantém a vivacidade da linguagem, fácil para as crianças, mas sem baratear o vocabulário. Eventuais palavras difíceis podem ser facilmente explicadas pelo adulto que lê.

Um clássico da literatura infantil
As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, é um clássico. Publicado incialmente em folhetim, ganhou edição em livro em 1883, com inúmeras traduções e edições desde então.
A fama da obra cresceu ainda mais com o desenho animado de Walt Disney, de 1940. Há uma adaptação mais recente, por Guilhermo Del Toro, mas confesso que não vi. Essas adaptações são apenas mais uma razão para ler o livro.
O texto tem 36 capítulos cheios de aventuras, tipicamente folhetinescos. Neles, são comuns reviravoltas a partir de ganchos que remetem a acontecimentos anteriores. Há suspense ao final de cada capítulo, criando ansiedade pela continuação.
Uma obra difícil de classificar
As aventuras de Pinóquio poderia ser considerado um romance infantil de aventura. Isso, por conta dos desencontros, das reviravoltas e das temerárias decisões do protagonista.
Por outro lado, a obra também poderia ser classificada como romance de formação. Afinal, Pinóquio cresce ao longo do tempo, aprendendo com suas desventuras.
Esse livro também poderia ser considerado um romance de fantasia. Temos ali boneco que fala, bichos malandros, uma fada e um gigantesco tubarão, que engoliu Gepeto por dois anos.
Essas classificações, porém, de nada servem. Como toda obra clássica, também essa acaba por fugir de categorizações simplificadoras. Normalmente, os textos que superam o tempo são aqueles mais difíceis de classificar. É o que ocorre com As aventuras de Pinóquio.
O protagonista
Mais importante é observar o personagem central. Pinóquio é extremamente cativante. Ele é o menino inocente, meio malandro, que vive caindo em erro. Impossível não se identificar, esse boneco é realmente muito humano.
Podemos até considerar Pinóquio um anti-herói, que se atrapalha, sofre, é humilhado, castigado, mas tem uma recompensa ao final.
Trata-se de um personagem muito bem construído. Suas dúvidas, indecisões e sentimentos não são descritos, aparecem naturalmente em meio à ação, como deve ser num bom livro.
Só analisando o protagonista já dá para ter certeza de que não se trata de um livrinho qualquer. Pinóquio se revela e nos apaixona em suas ações, em sua linguagem.
Particularmente engraçados são os momentos em que a marionete narra o que lhe sucedeu. Emocionado, Pinóquio fala rápido, exatamente como uma criança. Ele atropela os fatos, inverte as ordens, come as palavras para contar tudo em pouco tempo.
Um personagem que cresce e aprende
Pinóquio aprende com sua jornada, uma característica de romance de formação.
Na narrativa, desde o “nascimento” de Pinóquio passa-se algo em torno de três anos. O primeiro dia já é cheio de aventura. Mal tinha sido fabricado, Pinóquio faz uma de suas correrias e Gepeto acaba por ser preso. Assim, em sua primeira noite, o boneco fica sozinho e com fome.
No outro dia, Pinóquio revê Gepeto, que vende seu único paletó para comprar cartilhas para as aulas. Na manhã seguinte, quando para de cair a neve, começa a primeira aventura. Ao invés de ir para a escola, Pinóquio vende as cartilhas para assistir o teatro de marionetes.
Pinóquio é reconhecido pelos outros bonecos e acaba por ficar por ali. Tudo parece estar bem, mas o dono do circo decide usar a nova marionete como lenha para se aquecer. Mas há uma reviravolta. Por fim, Pinóquio ganha ouro, sai livre pelo mundo e sonha em recompensar o velho Gepeto.
Logo depois ele encontra a Raposa e o Gato. Novas aventuras. A gente se tortura vendo o boneco sendo enganado. Ao mesmo tempo ficamos revoltado com as bobagens que ele faz.
Pinóquio é um personagem complexo que nos faz sofrer e ao mesmo tempo nos diverte com as tiradas cômicas.
Trata-se de um livro muito divertido, que vai agradar as crianças e os pais. Essa vai ser realmente uma leitura para todos.
As aventuras de Pinóquio tem grande profundidade
Pinóquio flutua entre o universo da fantasia e da vida real. A parte realista retrata o universo das pessoas pobres, marceneiros, sapateiros, funcionários de circo, camponeses, pescadores. A miséria está presente em todo o universo do, digamos, mundo adulto.
Pinóquio, porém, é um pedaço de madeira que fala. Elemento de transição entre dois universos, ele fala com adultos, crianças e bichos. Assim, o "mundo realista" da história cede espaço, por meio do boneco, a um mundo paralelo de fantasia.
Esse universo de fantasia se remete às fábulas tradicionais. Isso fica evidente quando Pinóquio fala com animais, como o Grilo Falante ou a dupla formada pela Raposa e pelo Gato.
Há, porém, um outro nível de universo narrativo, mais mágico ou fantástico. Esse universo se estabelece com a presença da Fada de Cabelos Azuis ou na transformação das crianças em burros.
Nesses momentos há uma intercessão de universos. Não se trata do universo da pura fábula, tampouco do universo realista com foco na miséria humana. Há um fundo de realismo, como uma moldura, com um universo mágico no centro. Assim, as cenas estão cheias de fatos extraordinários e inexplicáveis, mas perfeitamente combinados, sem causar estranhamento ao leitor.
É dessa forma que vemos Gepeto indo parar, por dois anos, na barriga de um imenso tubarão. Como ele sobreviveu lá? Com a comida de um navio cargueiro que fora engolido pelo gigante. Uma explicação absurda, mas calcada na realidade, uma moldura realista num enredo fantástico.
Há ainda a imensa cobra no meio do caminho que explodiu de rir. E o caramujo que demorou horas e horas para resgatar Pinóquio que tiritava de frio com o pé preso na porta. Essas são cenas engraçadas, envolventes e em nada fora do que se espera da narrativa. Uma espécie de realismo fnatástico do século XIX.
Você vai se surpreender com esse livro
É interessante notar o quanto é divertido o primeiro capítulo, que de certa forma dará o tom de toda a narrativa.
De partida temos o senhor Cereja, assim chamado por causa de seu narigão vermelho. Sozinho em sua oficina, ele ouve um pedaço de madeira reclamar das batidas do machado. Com o susto, ele desmaia.
Depois chega Gepeto e os dois velhos discutem, brigam, rolam pelo chão e fazem as pazes. Gepeto ainda ganha a madeira que falava. Essa madeira, é claro, dará origem à famosa marionete. Tudo isso se dá muito rapidamente, com a narrativa em ritmo acelerado.
Um narrador muito interessante
Cabe notar ainda como se constitui o narrador dessa história. Trata-se de um intrometido, que aparece aqui e ali comentando sobre acontecimentos ou personagens. Ele guia os leitores, e ouvintes, de forma leve e animada em meio às tragédias da narrativa.
Somos apresentados a esse narrador logo nas primeiras linhas:
“Era uma vez...
– Um rei! – dirão logo os meus pequenos leitores.
– Não, crianças, erraram. Era uma vez um pedaço de madeira.”
A quebra de expectativa, logo nas primeiras linhas, é uma marca que será retomada ao longo do livro. As reviravoltas, as confusões, todos os desencontros já estavam previstos nessas primeiras quatro linhas. E o leitor será conduzido justamente por esse narrador intrometido e malandro.
Um narrador todo especial, referenciado até por Umberto Eco, em Seis passeios pelos bosques da ficção.
Seu filho (e você) deveria conhecer essa obra
É uma dádiva poder contar com um livro tão divertido e tão rico para nossas crianças. Ele precisa ser apresentado pelos pais, na hora da leitura antes de dormir. Esse momento crucial para a formação do futuro leitor.
As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, apesar de suas qualidades, não frequenta com assiduidade as salas de aula. Essa leitura seria muito mais proveitosa do que muita coisa que anda a ser empurrada goela abaixo de nossos filhos por aí.
Em casa, a leitura desse livro para as crianças não será um peso para os pais, divertirá a todos. Mesmo quem não tem filhos deve considerar ler As aventuras de Pinóquio. É um clássico que deve ser conhecidos por todos que sabem da importância da literatura.
REFERÊNCIA:
COLODI, Carlo. As aventuras de Pinóquio: história de uma marionete. Trad. COLASANTI, Marina; ilust.: MORAES, Odilon. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002.
ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
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